As cachoeiras e cursos d´água podem proporcionar lindas paisagens e imagens fantásticas. Uma característica típica das cachoeiras e quedas d’água é o movimento da água e, quando temos movimento, o que vem na cabeça fotográfica é velocidade de exposição. Controlando a velocidade de exposição podemos obter os mais belos e variados efeitos da água em movimento ou  do que se move durante a tomada da fotografia. Lembre-se que tudo que se move poderá sair borrado nas fotografias tiradas com velocidades baixas  e a intensidade do “borrão” dependerá da combinação das velocidades do assunto e da velocidade de exposição na câmera (que deve permanecer fixa, num tripé por exemplo). As dicas a seguir são básicas e podem ser seguidas pelos iniciantes da fotografia. Aproveite-as e descubra algumas funções de sua câmera e caso tenha dificuldade (por ex. como ajustar o balanço de branco, o ISO, etc) consulte o manual da sua câmera!

Primeiramente é necessário ter uma câmera com controles manuais de exposição como a abertura do diafragma (número f) e a velocidade da exposição e também do número ISO (sensibilidade). Como queremos registrar o movimento da água devemos selecionar uma velocidade baixa e assim é importante o uso de um tripé ou algo firme para apoiar a câmera (desligue o sistema de estabilização da lente!). Use um filtro polarizador se for possível. Evite fotografar em dias com muito vento pois os galhos e folhas sairão borrados e, se for possível, retorne ao local em diferentes horários do dia e do ano (as condições de luz e da paisagem podem mudar significativamente resultando em fotografias bem distintas. Fotografar é ter paciência e muita observação.  Pode-se seguir os seguintes passos:

1- Ajuste a sensibilidade ISO para 100 (ou a menor possível com sua câmera);

2-Ajuste o balanço de branco para AUTO (AWB) ou o mais adequado nas condições de luz;

3-Ajuste o tipo de imagem para RAW + JPEG na resolução máxima (leia aqui mais informações sobre tipos de arquivos de imagem). Caso sua câmera não permita a obtenção do RAW tenha atenção redobrada no ajuste do balanço de branco e na claridade (brilho) da imagem (imagem mais clara, imagem mais escura ou normal).

4-Ajuste o modo de exposição para  A (prioridade de abertura) e coloque abertura f11 ou f16 (evite usar f maior que 16 pois há uma maior degradação da imagem devido ao fenômeno da difração). Assim, em f16 e ISO100 a sua câmera irá selecionar a menor velocidade possível nas condições de luz (é recomendável que a cachoeira não esteja sendo iluminada diretamente pela luz do sol). Uma luz difusa é mais adequada, como num dia nublado, por exemplo. Caso contrário, o contraste será muito elevado e é quase certo que as altas luzes na água irão “estourar” (obtenção de branco sem detalhes).

5- Ajuste o temporizador (retardador de disparo ou timer) da câmera para disparo em 2s (ou 10s);

6- Coloque a câmera no tripé e faça a sua composição (enquadramento da cena) e focalização;

7- Dispare a câmera e aguarde a fotografia ser tirada (não segure no tripé após apertar o disparador e desligue o sistema de estabilização da lente). Tire diversas fotografias com diferentes composições!

8-Analise a imagem obtida e observe se obteve o efeito desejado. Em geral, velocidades baixas como 1/4 s ou menores proporcionam um belo efeito na água. Se não estiver conseguindo velocidades baixas o suficiente, use um filtro polarizador ou um filtro de densidade neutra (8x por ex.). Os filtros irão bloquear parte da luz e assim a exposição será mais longa e é justamente o que se desejamos).

9- Revele o arquivo RAW ou JPEG no seu editor preferido fazendo os ajustes necessários de contraste, cor, luz e sombras, etc.

10- Faça cópias e backups das imagens que mais gostou. Compartilhe!

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Perguntar não Ofende

1) Por que colocar a abertura f do diafragma em  11 ou 16?

2) Por que ajustar a sensibilidade  ISO para 100 (ou a mais baixa possível)?

3) Por que se recomenda o uso de um tripé?

Não Sabia? Então Fique Sabendo!

Abertura do diafragma: é o orifício por onde a luz entra na câmera (também conhecido como íris). Se situa na lente e funciona como uma janela e a quantidade de luz é controlada variando-se o diâmetro do oríficio: quanto maior o diâmetro da íris mais luz entra na câmera. O diâmetro da íris está relacionado com os números f que podem ser selecionados e quanto maior o número f mais fechada estará a íris e consequentemente menos luz entra na câmera. Por exemplo 4 (f4) deixa passar mais luz que 11 (f11). A seleção de um determinado número f vai depender da lente e a escala normalmente será entre f1.4, f2, f2.8, f4, f5.6, f8, f11, f16, f 22 (ou frações dentro desta escala, por exemplo f1.8, f3.5, f7.1, etc). As lentes que possuem abertura f2.8 ou maior (f1.8, f1.4, etc) são ditas lentes luminosas e são muito desejadas por fotógrafos entusiastas e profissionais. É importante lembrar que o número f também está relacionado com a profundidade de foco para uma dada lente (profundidade de foco ou de campo: numa fotografia, é a faixa de distância à frente e atrás do objeto focalizado que apresenta nitidez aceitável num certo número f para uma dada lente).

Velocidade do obturador: Indica o tempo que a luz permanecerá dentro da câmera sobre o sensor da imagem. Velocidades mais lentas proporcionam tempos de exposição mais longos. Nas câmeras as velocidades normalmente são numerados como 2000, 1000, 500, 250, 125, 60, 30, 15, etc (se referem às frações de segundo 1/2000s, 1/500s, 1/250s, 1/125s, 1/60s, 1/30s, 1/15s, ….etc. Assim, quanto maior o número da velocidade, mais rápida é a exposição (por ex.: 500 (ou 1/500s) é uma velocidade mais rápida que 60 (ou 1/60s).

Sensibilidade ISO: É uma escala que indica a sensibilidade luminosa do sensor de imagem. Quanto maior for o ISO mais sensível estará o sensor à luz. Assim, ISOs mais elevados são indicados quando as condições de luz do ambiente são mais fracas (pouca iluminação). A faixa de ISO mais comum é 100, 200, 400, 800, 1600, 3200, 6400 (ou suas frações ex.: ISO125, ISO2000). Em geral, a qualidade da imagem é melhor nos ISO mais baixos (ISO100, 200) e há uma degradação ou perda de qualidade da imagem à medida que usamos ISO mais elevados.